Educação Inclusiva de verdade na rede municipal de Valadares
Síndrome de Down: a diferença aqui é que TODAS as crianças estão na escola com atendimento especializado!
Publicado em 26/08/2015 16:14 - Atualizado em 28/08/2015 09:01
Síndrome de Down: a diferença aqui é que TODAS as crianças estão na escola com atendimento especializado!
Melissa tem quatro anos e está na pré-escola. Gosta de pintar, brincar com areia, montar peças de lego e desenhar como qualquer criança da sua idade. Melissa Pérola Medeiros é uma entre os 300 mil brasileiros que têm Síndrome de Down. E qual é a diferença para que freqüente a escola da rede municipal de ensino em Governador Valadares? Nenhuma! Valadares cumpre, com rigor, a legislação que determina que crianças, adolescentes e jovens com qualquer tipo de deficiência ou transtorno têm o direito à Educação. Não é à toa que já recebeu até o III Prêmio Experiências Educacionais Inclusivas – a escola aprendendo com as diferenças outorgado pelo Ministério da Educação (MEC).
Cumprir a lei com rigor quer dizer que todas as 90 unidades educacionais da rede municipal de educação não só aceitam as matrículas, como garantem ao aluno com deficiência Atendimento Educacional Especializado. As crianças tanto participam das aulas juntos com todos os alunos, como recebem o atendimento separadamente; têm garantido, inclusive, atendimento com fisioterapeutas e fonoaudiólogos. Uma das professoras especializadas, Juliana de Magalhães, conta que estimula o desenvolvimento das crianças por meio das diversas atividades realizadas nas oficinas de Estimulação Precoce. “O
estímulo é realizado através do brinquedo, de brincadeiras, de jogos, de exercícios e várias outras técnicas, beneficiando o potencial cerebral da criança, desenvolvendo, assim, seu lado físico, emocional e intelectual”, explica.
A professora da Melissa, Iolanda Ribeiro, entende que o convívio com outras crianças da mesma faixa etária possibilita um aprendizado não só para a Melissa, mas para a turma toda. “Ter a Melissa na turma é oportunidade de aprendizado para todos. Para o professor e monitor porque precisam estar sempre em busca de conhecimento, para ela porque desenvolve suas habilidades e socialização e para todos nós porque nos permite aprender a conviver em meio à diversidade, a respeitar o outro e a ser solidário, aprendizados importantes desde a infância”, enfatiza a professora.

Tranquilidade! Essa é a sensação de Marcos Francisco Alves de Medeiros quando perguntado sobre como se sente em ver a filha freqüentando a escola. “Minha família está tranqüila. Eu vejo que a evolução da Melissa depois que ela entrou na escola foi rápida. A atenção da diretora, professores, monitora e todos os funcionários é grande. Não só com a Melissa, mas com todas as crianças. Eu não vejo diferença nenhuma no tratamento deles com ela. Não tenho nada que reclamar. Só tenho a agradecer”, elogia o pai.
O Craedi
O responsável por todo o atendimento é o Centro Municipal de Referência e Apoio à Educação Inclusiva Zilda Arns (CRAEDI) que, no último ano, ampliou em 70% o número de atendimentos de estudantes com necessidades educacionais especiais matriculados na Escola em Tempo Integral. Em 2014, eram 420; agora são 718. Isto significa que acabou a fila de espera e agora também os estudantes das escolas do campo são atendidos. Destes, 308 possuem alguma deficiência intelectual (DI), entre elas a Síndrome de Down.
Para a coordenadora responsável pela área de DI, Eliane Duarte, é preciso acreditar no potencial da criança e adolescente com síndrome de Down e realizar um trabalho conjunto com a família, escola e o CRAEDI. “Sabemos que quanto mais cedo começa a estimulação dessas crianças, melhor para o seu desenvolvimento. A oportunidade oferecida pelo município é muito valiosa porque envolve serviços caros de especialistas como fisioterapeutas e fonoaudiólogos”, explica.
Além do atendimento educacional especializado, o CRAEDI também trabalha com a formação continuada de professores e monitores que acompanham essas crianças. Uma turma já participou da formação em maio deste ano e já tem agenda para uma nova turma em setembro e outubro.
Embora no Brasil nem todas as escolas recebam estudantes com algum tipo de deficiência, o número de matrículas vem crescendo expressivamente: em 2001, eram 81 mil; em 2009, mais de 386 mil e em 2014 chegou a quase 700 mil estudantes especiais matriculados em classes comuns de acordo com dados do Censo Escolar 2015.
por SECOM